Manejo de solo

Estudo mostra como uso da terra pode impactar o carbono no solo

Pesquisa revelou que as conversões de floresta para pastagem e de pastagem para usos agrícola ou sistema de integração influenciam o estoque de C

Preparo de solo
Preparo de solo

Um estudo conduzido por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Shell e a Fapesp, revelou como as mudanças no uso da terra impactam os estoques de carbono no solo. A pesquisa analisou um período de 39 anos em diferentes biomas e sistemas produtivos, destacando a influência da conversão de florestas em pastagens e da transição para sistemas agrícolas, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e o plantio direto da soja.

Principais descobertas sobre o estoque de carbono no solo

Os resultados da pesquisa indicam que:

  • A conversão de florestas em pastagens aumenta o carbono orgânico apenas na superfície do solo, sem impactos significativos em camadas mais profundas.
  • A transição de pastagens para sistemas integrados (iLPF) promove um aumento no estoque de carbono até 1 metro de profundidade, favorecendo um sequestro médio de 5 toneladas de carbono por hectare ao ano.
  • O plantio direto da soja manteve os níveis de carbono no solo estáveis, sem ganhos ou perdas significativas.

Sistemas conservacionistas e redução das emissões de carbono

O estudo reforça que estratégias sustentáveis, como o iLPF e o plantio direto, podem desempenhar um papel crucial no combate às mudanças climáticas, contribuindo para a remoção de CO₂ da atmosfera e seu armazenamento no solo.

Atualmente, 33,5% do território brasileiro é ocupado pela agropecuária, setor que representou 23,8% do PIB nacional em 2023 e 49% das exportações do país. No entanto, a mudança no uso da terra foi responsável por 41,4% das emissões totais do setor agropecuário no Brasil.

De acordo com o MapBiomas, 84,1% das novas áreas de pastagem abertas entre 1985 e 2023 foram convertidas a partir de vegetação nativa, impactando negativamente os estoques de carbono do solo.

Por outro lado, pastagens bem manejadas podem aumentar os estoques de carbono, enquanto pastos degradados aceleram a perda desse recurso essencial. A adoção de sistemas integrados como o iLPF se mostra uma estratégia eficaz para reverter esse cenário, promovendo a retenção de carbono e a conservação do solo.