As lavouras de milho de Santa Catarina avançam para estádios mais desenvolvidos, principalmente entre V10 e R4, indicando que a fase de maior risco de infecção por patógenos transmitidos pela cigarrinha-do-milho já passou. Levantamento realizado entre 10 e 17 de novembro mostra média estadual de 11 insetos por armadilha, número compatível com a série histórica do Programa Monitora Milho SC, embora municípios do Grande Oeste, como Ipira, Guatambu, Saudades e Guaraciaba, registrem índices mais altos de infestação.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

Entre as safras 2020/2021 e 2023/2024, os ataques da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) provocaram perdas estimadas em US$ 25,8 bilhões à agricultura brasileira.

Os danos representam uma redução média de 22,7% na produção nacional de milho, o equivalente a 31,8 milhões de toneladas por ano.

Os dados constam em um estudo inédito realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Embrapa e Epagri, publicado recentemente na revista científica Crop Protection.

Impactos técnicos e econômicos do enfezamento do milho

A pesquisa combinou dados do Projeto Campo Futuro, que acompanha custos da produção agropecuária, com metodologias desenvolvidas pela Embrapa e Epagri para estimar perdas fitossanitárias.

Foram analisados dados de 34 municípios representativos das principais regiões produtoras de milho do país. Em 79,4% dessas localidades, os produtores relataram perdas significativas relacionadas ao complexo de enfezamentos transmitido pela cigarrinha, com forte impacto na produtividade.

O complexo de enfezamentos, composto por molicutes como o espiroplasma e o fitoplasma, não possui tratamento curativo.

Em condições severas, especialmente com híbridos suscetíveis, os prejuízos podem atingir até 100% da lavoura, agravando o risco econômico.

Custo de controle da cigarrinha aumentou 19% no período

Além da quebra de safra, o estudo também aponta um aumento médio de 19% nos custos de controle da praga, com os gastos com inseticidas ultrapassando os US$ 9 por hectare.

A praga exige monitoramento constante, adoção de inseticidas específicos, uso de sementes resistentes, e práticas integradas de manejo, o que eleva o custo operacional das lavouras.