Foto: Daniel Pompeu
Foto: Daniel Pompeu

A Embrapa anunciou, ontem (12), avanços nos estudos sobre o genoma do milho. A pesquisa inédita realizada por cientistas brasileiros identificou regiões ideais, “os portos seguros”, para a inserção precisa de genes, avanço que pode transformar o desenvolvimento de plantas transgênicas e editadas, tornando o processo mais rápido, seguro e acessível para a agricultura.

A matéria é liderada por pesquisadores da Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas (UMiP GenClima/GCCRC). Também colaboraram com o estudo o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) e a Embrapa Agricultura Digital, e publicado na revista científica Frontiers in Plant Science.

O trabalho apresenta um panorama das tecnologias mais promissoras de engenharia genética aplicada ao milho, com foco na identificação dos chamados “portos seguros genômicos”. A pesquisa identificava as regiões estáveis do DNA, onde os genes inseridos funcionam corretamente e são herdados pelas próximas gerações.

Entre as principais aplicações do projeto está o desenvolvimento de milho tolerante à seca. Estiagens são uma das maiores ameaças à produção agrícola diante das mudanças climáticas. Segundo os autores, a tecnologia pode acelerar a chegada de cultivares mais produtivas, resistentes e adaptadas ao clima, o que vai beneficiar diretamente produtores rurais e fortalecer a sustentabilidade.

Atualmente, a produção de milho transgênico ainda depende, em grande parte, da inserção aleatória de genes, o que torna o processo lento, caro e pouco previsível. Segundo os pesquisadores, mais de 90% dos eventos transgênicos tradicionais apresentam problemas como inserções em locais inadequados, múltiplas cópias do gene ou até silenciamento do transgene pela própria planta.

Portos seguros reduzem custos e tempo

A identificação dos portos seguros no genoma do milho permite que os genes de interesse sejam inseridos com exatidão. Desta forma, atendendo às normas regulatórias e reduzindo etapas no processo de seleção das plantas.

De acordo com os pesquisadores, o desenvolvimento de uma variedade comercial de milho transgênico pode levar hoje entre 11 e 13 anos. E os investimentos podem chegar a US$ 136 milhões. Com técnicas de inserção sítio-específica, esse prazo e custo podem cair para cerca em até 10% do tempo, custo e esforço do modelo atual.