O início do plantio do milho segunda safra, safrinha, é um período estratégico e as decisões tomadas na semeadura impactam na lavoura
Foto: Conceito Agrícola

O início do plantio do milho de segunda safra marca um dos períodos mais estratégicos da agricultura brasileira. Com uma janela cada vez mais curta, em razão do atraso na colheita da soja e da instabilidade climática, cada decisão tomada na semeadura causa impacto direto sobre o desempenho da lavoura ao longo de todo o ciclo.

O sucesso do milho safrinha está associado à adequação do híbrido na região, junto da data de plantio, além da qualidade das sementes e precisão operacional. A escolha incorreta pode comprometer o potencial produtivo, especialmente quando o cultivo avança para períodos de maior risco climático, como a entrada do outono e do inverno.

A janela considerada ideal para o plantio, geralmente entre meados de janeiro e o fim de fevereiro, tende a se estreitar em anos de irregularidade climática. Nesses casos, atrasos, até mesmo de poucos dias, podem resultar em perdas expressivas de produtividade, já que a cultura passa a se desenvolver sob menor disponibilidade de radiação solar e maior exposição a estresses térmicos e hídricos.

Os primeiros indicadores de um bom estabelecimento da lavoura surgem logo após a emergência das plantas. A uniformidade do estande, a velocidade de emergência e a distribuição são determinantes para o aproveitamento eficiente de água, luz e nutrientes

O monitoramento inicial da área também é decisivo. Pragas como percevejos, lagartas e a cigarrinha-do-milho podem comprometer a lavoura ainda nos estádios iniciais, exigindo atenção redobrada desde a germinação. A adoção de práticas preventivas e o manejo adequado nas primeiras semanas contribuem para reduzir perdas e garantir maior estabilidade produtiva.

Nos últimos anos, o milho safrinha deixou de ocupar um papel secundário e passou a ser central na rentabilidade de muitas propriedades. Com maior escala e adoção de tecnologia, a cultura ganhou relevância econômica, embora ainda exista amplo espaço para avanços em produtividade. Em um cenário de riscos elevados, decisões técnicas bem fundamentadas no plantio seguem sendo o principal caminho para explorar esse potencial.