Preços da soja para essa semana segundo levantamento da DATAGRO Grãos
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A cercospora tem ganhado relevância no manejo fitossanitário da soja no Brasil e já é considerada um fator de risco importante para a produtividade. Antes vista como uma doença secundária, ela passou a causar impactos mais expressivos com a adoção de cultivares modernas, mais compactas e com menor tolerância à perda de área foliar. De acordo com a Embrapa, os prejuízos podem chegar a 20% da produção quando o manejo é realizado de forma tardia.

A doença se instala de maneira discreta, geralmente nas folhas do baixeiro, formando manchas arroxeadas que podem ser confundidas com senescência natural ou deficiência nutricional

Quando os sintomas se tornam evidentes, a redução do potencial produtivo já está consolidada, uma vez que a perda de folhas compromete diretamente a fotossíntese e o enchimento de grãos.

Especialistas alertam que o avanço da cercospora está relacionado às mudanças no perfil das plantas de soja. A maior densidade foliar e o menor porte tornam a lavoura mais sensível à desfolha, o que amplia os danos causados por doenças foliares. Por desconhecimento ou subestimação do problema, o controle da cercospora muitas vezes fica em segundo plano, enquanto produtores concentram esforços em enfermidades mais tradicionais, como ferrugem asiática e mancha-alvo.

Estudos da Embrapa Soja indicam ainda que o fungo pode estar presente desde o início do ciclo. Levantamentos mostram que até 16% das sementes aparentemente sadias já carregam o patógeno, o que favorece a instalação precoce da doença na lavoura. Além da queda de produtividade, a cercospora afeta a qualidade dos grãos, resultando em sementes menores, com menor peso, redução nos teores de proteína e óleo e ocorrência da mancha púrpura, que prejudica a comercialização e o uso do material na safra seguinte.

Diante desse cenário, o manejo preventivo é apontado como a principal estratégia de controle. O uso de sementes de qualidade, tratamento adequado, rotação de culturas com gramíneas e aplicações planejadas de fungicidas ao longo do ciclo são práticas recomendadas para reduzir a pressão da doença e preservar o potencial produtivo da lavoura.