Decisão de colher a soja envolve maturação fisiológica, umidade do grão, regulagem de máquinas e atenção ao clima para evitar perdas no campo
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Resumo da notícia

  • O planejamento da colheita da soja começa no manejo da lavoura e se consolida com a observação da maturação e da umidade dos grãos.
  • O ponto ideal ocorre após a maturação fisiológica, quando a maioria das vagens está seca e as folhas já caíram.
  • A colheita da soja deve ocorrer com a umidade do grão entre 13% e 15%, visando reduzir danos e custos.
  • Colher cedo ou tarde demais aumenta perdas, danos aos grãos e prejuízos econômicos.
  • Sensores, drones e máquinas modernas ajudam a definir com mais precisão a hora certa de colher a soja.

A colheita da soja representa o encerramento de um longo ciclo de decisões técnicas iniciadas ainda no planejamento da lavoura. É nessa fase que todo o investimento em genética, manejo, fertilidade do solo e controle fitossanitário se converte, de fato, em produção. Por isso, definir corretamente o momento da colheita da soja é determinante para preservar a produtividade e garantir a qualidade dos grãos e a rentabilidade da atividade.

Em sistemas de produção modernos, caracterizados por grandes áreas e alto nível de mecanização, a colheita exige precisão. Não se trata apenas de escolher uma data no calendário, mas de interpretar corretamente os sinais da planta, o estágio de maturação da soja, o teor de umidade dos grãos e as condições operacionais do campo

Neste artigo, vamos mostrar como identificar o ponto de colheita da soja, porque ele é tão importante, qual a umidade ideal do grão, quais os riscos associados à colheita antecipada ou tardia e como as tecnologias auxiliam o produtor rural nessa decisão estratégica.

Importância do ponto correto de colheita

O ponto correto de colheita da soja é o momento em que a cultura reúne as melhores condições fisiológicas e operacionais para os grãos serem retirados do campo com o mínimo de perdas e o máximo de qualidade. Quando a colheita ocorre nesse estágio, os grãos apresentam peso máximo, melhor integridade física e maior potencial de armazenamento.

Do ponto de vista agronômico, a colheita no momento ideal garante que o processo de enchimento dos grãos tenha sido concluído. Isso significa que a semente atingiu seu máximo acúmulo de matéria seca, refletindo diretamente na produtividade final da lavoura e na eficiência da produção de soja.

Já sob a ótica operacional, colher no ponto correto facilita a regulagem das máquinas, reduz danos mecânicos e diminui a quantidade de grãos perdidos no campo. Vagens muito secas tendem a se abrir naturalmente, enquanto grãos excessivamente úmidos sofrem mais com esmagamento e danos durante o trabalho das colheitadeiras.

Além disso, o ponto de colheita impacta a qualidade comercial. Grãos colhidos fora do padrão ideal podem gerar descontos na entrega, seja por excesso de umidade, seja por danos físicos ou presença de impurezas. Em sistemas de produção de sementes, essa decisão é ainda mais crítica, por afetar diretamente o vigor e o poder germinativo.

Estágios de maturação da soja

Para acertar a hora da colheita da soja, é essencial compreender os estágios de maturação da cultura. A soja passa por uma sequência de fases reprodutivas, e as mais relevantes para a colheita são aquelas próximas à maturação fisiológica.

A maturação fisiológica ocorre quando a planta encerra o transporte de nutrientes para as sementes. Nesse estágio, os grãos já atingiram seu tamanho e peso máximos. Visualmente, esse momento é marcado pelo início do processo senil da planta, com folhas amareladas, vagens mais velhas secando e rápida perda de umidade.

No entanto, embora a maturação fisiológica indique que o potencial produtivo já está definido, ainda não significa que a colheita deva ser iniciada imediatamente. Nesse ponto, o teor de umidade dos grãos costuma ser elevado, dificultando a colheita mecanizada e aumentando o risco de danos.

À medida que a maturação avança, a maioria das vagens passa a apresentar coloração marrom ou acinzentada, enquanto as folhas caem naturalmente. Esse é o indicativo de que a soja se aproxima do ponto de colheita, especialmente quando a secagem ocorre uniformemente no talhão.

Vale destacar que fatores como cultivar, época de semeadura e condições climáticas exercem grande influência sobre a velocidade de maturação. Chuvas frequentes e alta umidade relativa do ar podem retardar o processo, enquanto períodos secos e quentes aceleram a perda de umidade dos grãos.

Umidade ideal do grão

A umidade do grão é um dos parâmetros mais objetivos para definir a hora certa de colher a soja. De forma geral, a recomendação técnica aponta que a colheita deve ocorrer quando os grãos apresentam teor de umidade entre 13% e 15%.

Dentro dessa faixa, os grãos possuem consistência adequada para suportar o processo de colheita mecanizada, reduzindo a ocorrência de danos visíveis e invisíveis. Além disso, a umidade ideal minimiza a necessidade de secagem artificial, contribuindo para a redução de custos e preservação da qualidade.

Quando a colheita da soja é realizada com umidade acima de 15%, os grãos tendem a estar mais macios. Isso aumenta o risco de amassamento, rachaduras internas e deterioração durante o armazenamento. Nesses casos, a secagem torna-se indispensável, elevando os custos operacionais e exigindo maior cuidado no manejo pós-colheita.

Por outro lado, a colheita com umidade abaixo de 13% também representa um problema. Grãos muito secos tornam-se mais duros e quebradiços, favorecendo perdas por quebra e trincas durante a trilha. Além disso, a redução natural do peso dos grãos impacta negativamente o rendimento final da produção de soja.

O monitoramento frequente da umidade, seja por meio de amostragens no campo ou com equipamentos específicos, é uma prática fundamental para ajustar o início da colheita e garantir melhores resultados.

Riscos da colheita antecipada ou tardia

A colheita antecipada da soja é uma decisão que, em muitos casos, busca evitar perdas causadas por chuvas ou problemas climáticos. No entanto, quando realizada antes do ponto ideal, pode gerar prejuízos significativos. Grãos ainda imaturos apresentam maior teor de umidade, maior incidência de danos mecânicos e menor qualidade comercial.

Além disso, a colheita precoce tende a aumentar a proporção de grãos verdes, o que resulta em penalizações na classificação e na comercialização. O custo adicional com secagem e o risco de danos latentes tornam essa prática economicamente desfavorável na maioria das situações.

Já a colheita tardia expõe a soja a riscos igualmente relevantes. Permanecer no campo após atingir o ponto de colheita significa submeter os grãos à ação direta de chuvas, variações de temperatura e alta umidade do ar. Essas condições favorecem a deterioração, o desenvolvimento de microrganismos e a perda de qualidade.

Outro problema comum da colheita tardia é a deiscência natural das vagens, que se abrem espontaneamente, causando perdas antes mesmo da entrada das máquinas. O acamamento das plantas também dificulta a operação e aumenta a quantidade de vagens que ficam abaixo da plataforma de corte.

Além disso, atrasos na colheita comprometem o planejamento da safra seguinte, reduzindo a janela ideal de plantio e impactando o desempenho das culturas subsequentes.

Tecnologias que auxiliam na decisão

A evolução tecnológica desempenha um papel cada vez mais importante na definição do ponto de colheita da soja. Hoje, o produtor conta com uma série de ferramentas que permitem maior precisão e segurança na tomada de decisão.

Medidores eletrônicos de umidade são amplamente utilizados para acompanhar a perda de água dos grãos à medida que a maturação avança. Esses equipamentos possibilitam avaliações rápidas e frequentes, tanto no campo quanto durante a colheita.

Além disso, o uso de imagens de satélite e drones tem se tornado comum. Essas tecnologias permitem identificar diferenças de maturação entre talhões, facilitando o planejamento de uma colheita escalonada e mais eficiente. Com isso, o produtor consegue priorizar áreas que atingem o ponto de colheita antes, reduzindo perdas.

Outra prática adotada é a dessecação pré-colheita, utilizada para uniformizar a maturação e antecipar a operação. Quando realizada com critério técnico e no estágio adequado, essa técnica contribui para a redução de perdas e melhora a qualidade final do grão. No entanto, seu uso exige responsabilidade e acompanhamento profissional.

Além disso, colheitadeiras modernas contam com sistemas de automação e sensores que ajustam automaticamente parâmetros como velocidade, trilha e limpeza, reduzindo perdas e melhorando o desempenho da colheita da soja.

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