Entenda mais sobre a ferrugem asiática da soja e conheça as principais alternativas de controle para uma maior produtividade da sua lavoura!
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Resumo da notícia

  • A ferrugem asiática da soja é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e pode reduzir severamente a produtividade, com perdas superiores a 80% em casos graves.
  • A doença começa com pequenas lesões na parte inferior das folhas, evoluindo para pústulas que liberam esporos e causam desfolha precoce.
  • Umidade elevada, temperaturas amenas, semeadura tardia e falta de vazio sanitário aumentam o risco de surgimento.
  • O manejo envolve fungicidas, controle biológico e boas práticas agrícolas, com foco em aplicações preventivas e alternância de modos de ação.
  • Cultivares resistentes, cumprimento do vazio sanitário e uso de ferramentas digitais fortalecem o manejo integrado e reduzem a pressão da doença.

A ferrugem asiática da soja é considerada uma das doenças mais destrutivas da cultura, e afeta diretamente o rendimento e eleva os custos de produção. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a doença se espalha rapidamente e exige manejo rigoroso ao longo do ciclo da soja

Desde seu registro no Brasil em 2001, a ferrugem asiática se tornou uma das principais preocupações fitossanitárias do país, levando produtores, especialistas e instituições a desenvolver estratégias de controle mais eficientes e sustentáveis.

O que é a ferrugem asiática da soja e como ela afeta a lavoura

O fungo responsável pela ferrugem asiática da soja compromete a capacidade da planta de realizar fotossíntese. Com isso, há redução da área foliar, queda prematura de folhas e, consequentemente, menor enchimento de grãos. Em casos severos, as perdas podem superar 80% do potencial produtivo

Essa ameaça constante reforça a necessidade de monitoramento contínuo e decisões rápidas, especialmente em regiões de clima mais úmido, onde o patógeno encontra condições ideais para se proliferar.

Além do impacto agronômico, a doença da soja traz consequências econômicas. O aumento no uso de fungicidas, associado ao monitoramento constante, implica custos elevados para o produtor. Em contrapartida, a ausência de controle adequado representa riscos ainda maiores. Por isso, compreender o comportamento da doença e adotar boas práticas de manejo são passos fundamentais para garantir produtividade e rentabilidade.

Como identificar os primeiros sinais da ferrugem asiática

Reconhecer a ferrugem asiática da soja nos estágios iniciais é determinante para evitar que a doença se espalhe pela lavoura. Os sintomas começam de forma discreta, o que pode atrasar o manejo quando o monitoramento não é frequente.

Os primeiros sinais aparecem na face inferior das folhas, em que aparecem pequenas lesões pontuais, semelhantes a minúsculas manchas escuras ou castanhas.

Essas lesões evoluem para pústulas, que são estruturas que liberam esporos do fungo, com cores que variam entre bege, marrom e alaranjado. Na parte superior da folha, o produtor observa manchas irregulares, que lembram queimaduras leves

Conforme o fungo avança, a planta perde vigor, as folhas secam e caem, expondo vagens e prejudicando o enchimento de grãos.

Outro fator importante é o ritmo de evolução da doença. A ferrugem asiática pode se espalhar muito rapidamente, especialmente em períodos de alta umidade. Por isso, a identificação precoce depende de monitoramento minucioso, preferencialmente com auxílio de armadilhas, ferramentas digitais e observação semanal nas áreas de maior risco.

Principais causas e condições que favorecem o aparecimento da doença

A ferrugem asiática da soja se desenvolve em um conjunto específico de condições ambientais. O fungo precisa de ambiente úmido e temperatura amena para germinar e se multiplicar. Chuvas frequentes, longos períodos de molhamento foliar e variações térmicas entre 18°C e 28°C criam o cenário ideal para o avanço da doença.

Além das condições climáticas, o calendário agrícola também influencia o surgimento da doença. A semeadura tardia prolonga a exposição da planta ao patógeno. Regiões com presença de plantas voluntárias de soja e áreas onde não se respeita o vazio sanitário também representam maior risco, já que o fungo permanece ativo durante períodos de entressafra.

Outro ponto crítico é a chegada constante de esporos transportados pelo vento. O fungo pode percorrer grandes distâncias, atingindo novas lavouras mesmo quando o foco inicial está a centenas de quilômetros. Por isso, a ferrugem asiática é considerada uma doença de caráter regional, exigindo atuação conjunta entre produtores e instituições para proteger a produção.

Como tratar a ferrugem asiática da soja: métodos eficazes de controle

O manejo da ferrugem asiática da soja envolve diferentes estratégias, combinadas de forma integrada para reduzir danos e manter o patógeno sob controle. O tratamento exige conhecimento técnico, planejamento e, principalmente, ações preventivas, uma vez que o controle curativo é pouco eficiente quando a doença está avançada.

Controle químico: fungicidas e protocolos de aplicação

Os fungicidas são ferramentas essenciais no manejo da ferrugem asiática, especialmente quando aplicados de forma preventiva. Atualmente, as misturas triplas, que combinam diferentes modos de ação, têm sido fundamentais para retardar a resistência do fungo.

O ideal é seguir protocolos que levem em conta o estágio da lavoura, o clima da região e o histórico da área. A primeira aplicação costuma ser realizada antes do fechamento das entrelinhas, quando as plantas ainda permitem correta cobertura foliar. Aplicações tardias comprometem a eficácia do produto, pois dificultam a penetração do fungicida na parte inferior das folhas, onde o fungo se instala.

Outra recomendação é alternar modos de ação entre aplicações, evitando repetição de moléculas e reduzindo o risco de resistência. A adição de adjuvantes também contribui para melhorar a distribuição do produto, principalmente em cenários de alta umidade ou folhas com deposição de poeira.

Controle biológico: uso de microorganismos benéficos

O controle biológico tem ganhado espaço no manejo da ferrugem asiática da soja. Produtos à base de bactérias e fungos antagonistas ajudam a reduzir a população do patógeno e podem ser usados em conjunto com fungicidas químicos, sem comprometer a eficiência das aplicações.

Entre os microrganismos mais utilizados estão espécies de Bacillus, que formam uma barreira protetora na superfície das folhas, e fungos que competem por nutrientes com o Phakopsora pachyrhizi. O uso contínuo desses agentes biológicos contribui para um manejo mais sustentável, diminuindo a pressão de resistência e reduzindo o impacto ambiental.

Manejo integrado: boas práticas agrícolas e monitoramento

O manejo integrado de doenças é uma abordagem que combina diferentes estratégias de controle, visando reduzir o avanço da ferrugem asiática de forma mais eficiente. Entre as práticas recomendadas estão:

  • Monitoramento constante da lavoura;
  • Eliminação de plantas voluntárias;
  • Rotação de culturas para reduzir a fonte de inóculo;
  • Correta nutrição das plantas, fortalecendo o sistema imunológico vegetal.

Quando aplicado de forma coordenada, o manejo integrado aumenta a capacidade da lavoura de resistir ao ataque do fungo, reduzindo o número de aplicações químicas e promovendo maior sustentabilidade.

Como prevenir a ferrugem asiática da soja

A prevenção é a estratégia mais eficiente para controlar a ferrugem asiática da soja. Ela é determinante para reduzir riscos, custos e perdas de produtividade.

Escolha de cultivares resistentes

O uso de cultivares resistentes é uma das medidas mais efetivas no controle preventivo. Os tipos desenvolvidos com resilientes reduzem a velocidade de avanço do fungo e permitem manejo mais eficiente. Embora nenhuma variedade seja totalmente imune à doença, essas espécies ajudam a ganhar tempo e reduzem a pressão sobre o uso de fungicidas.

Calendário de semeadura e vazio sanitário

Respeitar o vazio sanitário é fundamental para interromper o ciclo da ferrugem asiática. Esse período, no qual é proibido manter plantas vivas de soja no campo, impede a sobrevivência do fungo entre safras. Estados como Mato Grosso, Goiás, Bahia e Paraná seguem calendários específicos que reduzem drasticamente o risco de contaminação precoce.

A semeadura dentro do período indicado pelos órgãos estaduais também ajuda a evitar que as plantas estejam em estágio crítico justamente no momento de maior pressão da doença.

Monitoramento climático e ferramentas digitais de alerta

O uso de tecnologias digitais têm revolucionado o manejo da ferrugem asiática. Plataformas de monitoramento climático permitem acompanhar chuvas, umidade relativa e temperatura, identificando dias de maior risco para a germinação dos esporos.

Além disso, ferramentas de alerta fitossanitário e aplicativos colaborativos fornecem informações atualizadas sobre focos da doença em diferentes regiões. Esses recursos ajudam o produtor a tomar decisões mais precisas, reduzindo aplicações desnecessárias e garantindo melhores resultados.

A importância da tecnologia na gestão sanitária da soja

A evolução da agricultura digital tem desempenhado papel decisivo na gestão sanitária da soja. Sensores remotos, drones, sistemas de Inteligência Artificial (IA) e modelos preditivos auxiliam no diagnóstico precoce da ferrugem asiática, permitindo intervenções pontuais e mais eficientes.

O uso de imagens de alta resolução, por exemplo, possibilita identificar mudanças sutis no vigor das plantas antes mesmo que os sintomas sejam visíveis a olho nu. Já as estações meteorológicas instaladas na propriedade ajudam a monitorar variáveis críticas para o desenvolvimento do fungo, apoiando decisões de manejo.

Saber apenas sobre a ferrugem asiática não é o suficiente para ter um plantio de qualidade – pensando nisso, a equipe da Broto preparou um Guia Completo para a safra 2025/26 de soja. Saiba mais aqui.