São Paulo firmou um acordo com o governo da Suécia para a realização de estudos técnicos voltados à ampliação da cadeia do biometano
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O Estado de São Paulo firmou um acordo com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, para a realização de estudos técnicos voltados à ampliação da cadeia do biometano

A parceria, conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), tem como foco dimensionar investimentos necessários para novos gasodutos de biometano, além de avaliar o potencial de aproveitamento do digestato, subproduto da digestão anaeróbica, além de estruturar modelos de negócios para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos.

Os estudos contarão com cerca de R$ 5 milhões em recursos, custeados integralmente pelo governo sueco, destinados à contratação de consultorias especializadas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano. A iniciativa parte do reconhecimento do potencial paulista para geração de valor ao longo da cadeia produtiva do combustível, tanto no setor energético quanto no agrícola.

A cooperação internacional está alinhada às diretrizes do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e do Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), que estabelecem metas de descarbonização e ampliação da participação de fontes renováveis na matriz energética estadual. O biometano é apontado como um dos vetores estratégicos para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), com reflexos também na geração de emprego e renda.

No campo regulatório, políticas estaduais recentes têm buscado viabilizar a expansão da infraestrutura de biometano. Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem repasse de custos aos demais usuários. A medida instituiu a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição – Verde (TUSD-Verde), pela qual os investimentos e custos operacionais passam a ser remunerados exclusivamente pelos fornecedores do biocombustível.

A regulação está alinhada à Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) e ao Plano Estadual de Energia, que preveem o aumento da participação de fontes renováveis e a redução das emissões no setor energético. A TUSD-Verde busca estimular a expansão do biometano com critérios de competitividade e eficiência, mantendo a modicidade tarifária do serviço de gás canalizado.

Estudos sobre o potencial produtivo reforçam a relevância do biometano em São Paulo. Levantamento contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com apoio técnico da Semil, estima que a região tem potencial de produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. Esse volume pode gerar cerca de 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, além de impulsionar uma cadeia industrial associada a equipamentos, serviços e logística.

De acordo com o estudo, mais de 80% desse potencial está concentrado no setor sucroenergético, a partir do aproveitamento de resíduos como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha da cana-de-açúcar. Entre os benefícios apontados está a substituição parcial de combustíveis fósseis no transporte, com possibilidade de redução de até 16% das emissões de carbono em comparação ao uso do óleo diesel.