
Resumo da notícia
- Nordeste: previsão indica armazenamento hídrico do solo abaixo de 30% em grande parte da região, cenário desfavorável para culturas de sequeiro em fase inicial.
- Centro-Oeste: há risco de excesso hídrico em fevereiro no centro-norte de MT e oeste/norte de GO, com excedentes acima de 100 mm, podendo causar encharcamento e dificultar operações.
- Norte: aumento do armazenamento de água no solo e excedentes acima de 100 mm em áreas da região, com risco de encharcamento e doenças fúngicas.
- Sudeste: em fevereiro, norte de MG, ES e litoral norte do RJ podem ficar com armazenamento de água no solo abaixo de 40%, com risco para pegamento e enchimento dos frutos do café e para pastagens.
- Sul: previsão mantém umidade do solo elevada e excedentes hídricos acima de 60 mm em PR, SC e norte do RS, favorecendo lavouras e pastagens, com atenção ao manejo em solo muito úmido.
A previsão do Inmet para fevereiro de 2026 indica um Brasil com dois desafios bem diferentes. No Nordeste, a tendência é de manutenção de baixa disponibilidade de água no solo e déficit hídrico mais intenso em fevereiro. Já no Centro-Oeste, alerta para excesso de água no solo e risco de encharcamento em áreas onde os excedentes podem passar de 100 mm. As informações estão no Boletim Agroclimatológico Mensal do Inmet.
Na prática, fevereiro pede duas rotinas: gestão de água (onde falta) e gestão de excesso (onde sobra). O critério é simples: onde o boletim aponta armazenamento hídrico baixo, a prioridade é reduzir estresse na fase vegetativa. Por outro lado, onde aponta excedente, a prioridade é garantir tráfego, sanidade e drenagem superficial para não perder janela de manejo.
Nordeste: fevereiro com déficit hídrico mais forte e armazenamento do solo baixo em grande parte da região
Para fevereiro de 2026, o Inmet aponta que o armazenamento hídrico do solo tende a ficar inferior a 30% em grande parte do Nordeste. Nesse cenário, o déficit hídrico tende a se intensificar especialmente em fevereiro, com valores inferiores a 60 mm na faixa que vai do litoral do Ceará ao litoral sul da Bahia, abrangendo também áreas do interior nordestino.
Essa condição é desfavorável ao desenvolvimento das culturas de sequeiro, sobretudo aquelas em fase inicial de estabelecimento, podendo comprometer o crescimento vegetativo e a produtividade.
O sinal de alerta é o impacto nas culturas de sequeiro em fase de estabelecimento. O risco é de comprometimento do crescimento vegetativo e da produtividade, segundo o boletim.
Por outro lado, o Inmet indica pontos com condição mais confortável: no Maranhão e em áreas pontuais do sul do Piauí e do extremo oeste da Bahia, são previstos níveis de armazenamento hídrico superiores a 50%. A expectativa é de recuperação gradual de umidade do solo e tendência de melhora para culturas e pastagens.
O que fazer
- Priorize talhões com maior risco de estresse hídrico (solos rasos, topo de morro, baixa cobertura) para decisões de replantio, adubação de cobertura e controle de plantas daninhas.
- Evite operações que aumentem perda de água do solo (excesso de revolvimento e tráfego desnecessário) onde o boletim indica armazenamento baixo.
- Na pecuária, ajuste carga e manejo de piquetes onde o boletim aponta baixa disponibilidade hídrica para preservar vigor de pastagens.
Centro-Oeste: fevereiro com chance de excesso de água e encharcamento em áreas de MT e GO
No Centro-Oeste, o Inmet prevê umidade do solo superior a 60% em grande parte da região ao longo do período avaliado. A partir de fevereiro, o boletim destaca elevação progressiva da umidade, com possibilidade de condições de excesso hídrico, especialmente no centro-norte de Mato Grosso e nas porções oeste e norte de Goiás. A previsão é de maior intensidade prevista para os meses de fevereiro e março, com valores superiores a 100 mm.
Além disso, nessas áreas, o excesso de água pode ocasionar encharcamento do solo, dificultar operações de manejo e favorecer a ocorrência de doenças, além de afetar o desenvolvimento radicular das culturas.
Por outro lado, nas demais áreas da região, a regularização das chuvas deverá assegurar disponibilidade hídrica adequada. Isso deve favorecer o enchimento de grãos das culturas de verão e a consolidação das pastagens. A indicação é de impactos positivos sobre os sistemas produtivos agrícolas e pecuários da região.
Segundo o boletim, o excesso pode causar encharcamento do solo, dificultar operações de manejo e favorecer a ocorrência de doenças. Além disso, tende a afetar o desenvolvimento radicular das culturas. Em contrapartida, nas demais áreas, a regularização das chuvas tende a garantir disponibilidade hídrica adequada, favorecendo o enchimento de grãos e a consolidação das pastagens.
O que fazer
- Janela de operação: planeje pulverizações e adubações com foco em períodos de solo menos saturado para reduzir amassamento e compactação.
- Sanidade: redobre atenção ao manejo fitossanitário onde o boletim aponta excesso, porque a combinação de alta umidade e lavoura fechando linha eleva risco de doenças.
- Tráfego: restrinja máquinas em talhões com histórico de compactação; o critério é evitar formar “trilho” e selar superfície.
Sudeste: fevereiro com baixa disponibilidade no norte de MG, ES e litoral norte do RJ
Para o Sudeste, o Inmet indica que em fevereiro pode haver baixa disponibilidade de água no solo no norte de Minas Gerais, no Espírito Santo e no litoral norte do Rio de Janeiro. Os percentuais devem ficar abaixo de 40%. A menor umidade do solo pode limitar o desenvolvimento das lavouras de sequeiro, comprometer o pegamento e o enchimento dos frutos do café. Ainda, pode reduzir a capacidade de suporte das pastagens.
Já o restante do Sudeste apresenta estoques superiores a 70% ao longo do trimestre. Tais condições são favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de verão, especialmente soja e milho. Além disso, beneficiam o crescimento vegetativo da cana-de-açúcar e a manutenção das pastagens.
Por fim, no restante do Sudeste, o boletim descreve estoques de água no solo superiores a 70% ao longo do período considerado, com ambiente favorável para soja, milho, cana-de-açúcar e pastagens.
Sul: fevereiro com umidade alta e excedentes no PR, SC e norte do RS
No Sul, a previsão mantém o cenário de elevados níveis de umidade no solo, com armazenamento superior a 70% em grande parte da região. Os excedentes hídricos superiores a 60 mm tendem a predominar nos estados do Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul.
Essa condição é favorável ao desenvolvimento das lavouras de verão, além de beneficiar a fruticultura contribuindo para a manutenção do crescimento vegetativo e para a formação dos frutos. Da mesma forma, a boa umidade do solo favorece a recuperação e o vigor das pastagens, sustentando as atividades pecuárias da região.
Norte: fevereiro com redução pontual de déficits e aumento do armazenamento de água no solo
Na Região Norte, o boletim indica que em fevereiro ocorre redução pontual dos déficits hídricos nessas áreas, acompanhada por aumento progressivo do armazenamento de água no solo, em resposta à maior regularidade das chuvas.
Ao mesmo tempo, áreas do centro-sul do Amazonas, Acre, Rondônia, Amapá, Pará e Tocantins deverão apresentar excedentes hídricos ao longo do trimestre, com valores superiores a 100 mm, favorecendo a manutenção de elevados níveis de umidade do solo.
Essa condição tende a beneficiar o desenvolvimento das lavouras de verão, das culturas perenes, como banana e cacau, e a recuperação das pastagens. No entanto, a persistência de excedentes hídricos pode aumentar o risco de encharcamento do solo e de ocorrência de doenças fúngicas. Dessa forma, atenção ao manejo fitossanitário e às operações de campo.
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