Os produtores de trigo e arroz ganharam um novo reforço para a comercialização e o escoamento da safra. Na última sexta-feira (12), o governo federal autorizou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a realizar leilões públicos dos instrumentos Pepro e PEP, com a destinação de cerca de R$ 167 milhões para as operações, conforme portarias assinadas pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e da Agricultura e Pecuária.
Foto: Wenderson Araujo/Trlux

As expressivas quedas nos preços do trigo ao longo de 2025 devem manter a atratividade da cultura reduzida aos produtores brasileiros neste ano, projeta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), em novo boletim semanal, que traz as principais perspectivas para o mercado de grãos neste ano.

Segundo o documento, diante desse cenário, não se esperam avanços significativos na área destinada ao cereal no primeiro semestre de 2026, o que tende a preservar a dependência das importações para o abastecimento interno

As exportações, por sua vez, devem continuar a desempenhar um papel importante, contribuindo para atenuar a pressão de baixa sobre os valores domésticos

De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as importações de trigo de agosto de 2025 a julho de 2026 devem atingir 6,7 milhões de toneladas, o que indica que, entre dezembro de 2025 e julho de 2026, o ritmo será ainda mais intenso do que o observado nos quatro primeiros meses do ano-safra.

Com isso, a Conab projeta uma disponibilidade interna superior a 16 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, volume 5,3% maior do que o registrado na temporada anterior.

Desse total, cerca de 11,8 milhões de toneladas devem ser destinadas ao consumo doméstico, enquanto 2,24 milhões de toneladas devem ser exportadas entre agosto de 2025 e julho de 2026. Mesmo assim, os estoques finais em julho de 2026 são estimados em 2 milhões de toneladas, o equivalente a 8,7 semanas de consumo – a maior relação desde 2020. 

Nesse contexto, pesquisadores do Cepea-Esalq/USP indicam que não se vislumbram recuperações consistentes de preços no início de 2026.

Além disso, as importações devem continuar exercendo pressão sobre o mercado ao longo do ano, uma vez que o trigo importado continuará competindo com a produção nacional, o que é reforçado pela maior oferta do principal fornecedor, a Argentina.

De acordo com dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), a produção argentina de trigo na safra 2025/26 foi estimada em 27,8 milhões de toneladas, um novo recorde.