Foto: Greta Hoffman
Foto: Greta Hoffman

Os preços dos fertilizantes iniciaram 2026 em patamares mais elevados nos portos brasileiros, refletindo um movimento de alta observado também em outros mercados globais. 

Na última semana de janeiro, as cotações da ureia estavam cerca de 10% acima do nível registrado no mesmo período do ano passado, enquanto o superfosfato simples (SSP) e o cloreto de potássio (KCl) acumularam altas próximas de 20% na comparação anual, segundo levantamento da StoneX sobre insumos.

O avanço é sustentado por uma combinação de fatores sazonais e geopolíticos. No início do ano, diversos países intensificam a preparação para as aplicações agrícolas, o que tradicionalmente eleva a demanda por fertilizantes. Ao mesmo tempo, o cenário internacional adiciona incertezas à oferta, especialmente diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que afetam diretamente regiões estratégicas para a produção de nitrogenados.

O Oriente Médio, responsável por parcela relevante da oferta global, segue no radar do mercado. Qualquer instabilidade na região tende a gerar volatilidade e reforçar um viés altista nas cotações internacionais.

Já nos Estados Unidos, o primeiro trimestre marca a retomada das compras para a safra de primavera, com aumento das importações entre fevereiro e abril. Esse movimento costuma pressionar os preços tanto no mercado interno norte-americano quanto nos países exportadores.

A China também exerce influência importante no período. Embora seja grande produtora, o impacto ocorre principalmente pelo lado das exportações. Em momentos considerados estratégicos, o país costuma adotar restrições às vendas externas para priorizar o abastecimento interno, reduzindo a disponibilidade global e intensificando a disputa por cargas, sobretudo no mercado de potássio.

Outro ponto de atenção é a demanda da Índia, que pode anunciar uma nova rodada de compras nas próximas semanas. Caso isso ocorra, o movimento tende a coincidir com um período de demanda aquecida em mercados como Estados Unidos, Canadá, China e Europa, reforçando a sustentação dos preços.

Diante desse cenário, o ambiente de preços firmes tende a estimular maior cautela por parte dos compradores brasileiros. As cotações elevadas, combinadas a relações de troca menos favoráveis, reduzem o incentivo à antecipação das aquisições para a próxima temporada, mantendo o mercado atento à evolução dos fatores externos ao longo do primeiro semestre.