Foto: Tony Oliveira/CNA
Foto: Tony Oliveira/CNA

Após dois anos marcados por aumentos expressivos da área cultivada com mandioca no Brasil – sobretudo nos estados com maior concentração de indústrias processadoras –, o setor deve entrar em uma fase de ajuste em 2026.

De acordo com o novo boletim semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), que traz as principais perspectivas para o mercado de mandioca neste ano, o avanço da colheita de raízes de primeiro ciclo observado em determinados períodos de 2025, aliado à expectativa de produtividade mais baixa, tende a alinhar melhor a oferta de matéria-prima à demanda industrial.

“Esse movimento deve resultar em menores oscilações de preços ao longo do ano”, projeta o Cepea-Esalq/USP.

Estimativas preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) indicam que a produção brasileira de mandioca deve somar cerca de 20 milhões de toneladas em 2026, queda de 2,5% sobre o ano anterior.

O volume estimado reflete uma redução de 1,7% na área a ser colhida, para 1,26 milhão de hectares, e de 0,8% na produtividade média nacional, calculada em 15,7 toneladas por hectare.

Pesquisadores do Cepea-Esalq/USP destacam que, a partir de 2026, a relação entre produtores e fecularias deve passar por ajustes mais significativos, com um número crescente de indústrias devendo exigir que a colheita seja realizada exclusivamente com mão de obra formalizada.

“Essa mudança implica aumento de custos para os produtores, compensado parcialmente por bonificações no preço pago pela raiz. No entanto, a adesão a esse novo modelo ainda é limitada, o que pode gerar tensões adicionais na comercialização”, aponta o centro de pesquisas.

Nos últimos anos, a rentabilidade da mandiocultura vem sendo pressionada, em função do aumento dos custos de produção.

O atual cenário de juros elevados e maior restrição ao crédito também tende a afetar negativamente a atividade, reduzindo investimentos em tecnologia e manejo, com reflexos potenciais sobre a produtividade e, no médio prazo, sobre a área cultivada.

Quanto ao clima, preliminarmente, os institutos indicam condições climáticas mais equilibradas para 2026, sem a influência direta de fenômenos como El Niño ou La Niña.