Balança mostra que o setor do agronegócio do Brasil respondeu por quase metade das exportações e evitou um déficit bilionário
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Resumo da notícia

  • Agro exportou US$ 170 bilhões em 2025 e garantiu a segunda maior balança comercial da história, mesmo com tensões geopolíticas.
  • Saldo positivo do agronegócio evitou déficit de quase US$ 60 bilhões na balança comercial brasileira.
  • China liderou como principal destino, com US$ 55,3 bilhões, seguida pela União Europeia, com avanço estratégico.
  • Café e carnes puxaram o crescimento das exportações; setor sucroenergético registrou forte retração no ano.
  • Importações do agro cresceram pouco e perderam peso no total brasileiro, atingindo o menor nível em sete anos.

O agronegócio brasileiro voltou a exercer papel decisivo na economia em 2025. Mesmo em um cenário marcado por tensões geopolíticas e pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos entre agosto e novembro do ano passado, o setor registrou exportações recordes de US$ 170,04 bilhões, alta de 2,5% frente a 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pela DATAGRO

“O resultado confirma a resiliência do agronegócio brasileiro, que manteve crescimento mesmo com queda de preços médios e restrições comerciais relevantes”, destaca a DATAGRO. As vendas externas do setor representaram 48,5% de tudo o que o Brasil exportou em 2025.

O saldo da balança comercial do agronegócio somou US$ 127,84 bilhões, crescimento de 3,6%, alcançando a segunda melhor marca da história. “Sem esse desempenho, a balança comercial total do país teria registrado um déficit de US$ 59,5 bilhões, em vez de um superávit de US$ 68,3 bilhões”, aponta a consultoria.

Ainda nesse contexto, a DATAGRO ressalta que, ao se considerar a importação evitada de gasolina em função do consumo de etanol no mercado doméstico – tanto o etanol hidratado quanto o etanol anidro misturado à gasolina –, o saldo da balança comercial do agronegócio brasileiro teria sido 10,7% maior em 2025, alcançando US$ 141,47 bilhões. “Esse efeito adicional do etanol foi fundamental para preservar a balança comercial brasileira de um déficit implícito estimado em US$ 73,2 bilhões”, destaca a consultoria.

China segue como principal parceiro comercial

Em 2025, a China se manteve consolidada como o principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro. As exportações para o país asiático somaram US$ 55,3 bilhões, um crescimento de 11,3% em relação a 2024, elevando a participação chinesa de 30,2% para 32,5% no total das vendas externas do setor. O principal item da pauta foi o complexo soja, responsável por US$ 34,6 bilhões em receita, alta de 9,8%, com a China absorvendo 65,4% de tudo o que o Brasil exportou nesse segmento.

Na sequência, a União Europeia manteve-se como o segundo principal mercado do agronegócio brasileiro, com embarques de US$ 25,21 bilhões em 2025, avanço anual de 8,6%. Os destaques da pauta exportadora para o bloco foram café verde, celulose, carne bovina in natura e suco de laranja.

A expectativa é de que a UE ganhe relevância estratégica nos próximos anos, especialmente diante da iminência do acordo de livre-comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o acordo pode criar um mercado de quase US$ 22 trilhões e elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões.

Em sentido oposto, as exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos recuaram 5,6% em 2025, totalizando US$ 11,40 bilhões, impacto atribuído diretamente às tarifas comerciais aplicadas pelo governo norte-americano no segundo semestre do ano passado.

Exportações de café e carnes crescem, enquanto setor sucroenergético recua

Entre os principais produtos exportados em 2025, o café foi o grande destaque. As vendas externas da commodity somaram US$ 16,08 bilhões em receita, um avanço expressivo de 30,3% frente a 2024, impulsionado pela forte valorização dos preços no mercado internacional.

“Os preços do café atingiram níveis recordes em 2025, devido a condições climáticas adversas em importantes países produtores, como geadas e seca no Brasil, além da queda de produção no Vietnã e na Indonésia, o que reduziu a oferta global”, explica a DATAGRO.

Outro desempenho relevante veio do setor de proteínas animais, cujas exportações atingiram um recorde de US$ 31,81 bilhões em 2025, crescimento anual de 21,5%. O avanço foi sustentado pela demanda internacional aquecida, especialmente da China, e pela expansão da capacidade produtiva brasileira. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil já exporta proteínas para mais de 170 países. No segmento de carne bovina, os embarques cresceram 40,1%, alcançando o recorde de US$ 18,03 bilhões.

Na contramão, o setor sucroenergético registrou queda nas exportações em 2025. A receita recuou 23,5%, para US$ 15,06 bilhões, refletindo a redução dos volumes embarcados e a pressão dos preços internacionais. As exportações de açúcar caíram cerca de 19% em volume frente a 2024, em um cenário de preços globais mais deprimidos. Já os embarques de etanol atingiram o menor nível desde 2017, com recuo de aproximadamente 14,6%, impactados pela menor produção, desafios de mercado e estoques internos mais apertados.

Do lado das importações, o agronegócio brasileiro desembolsou US$ 42,20 bilhões em 2025, alta de 1,2%, considerando fertilizantes e defensivos agrícolas, com destaque para o aumento das compras de cloreto de potássio (KCL) e fertilizantes nitrogenados.

“Mesmo com esse crescimento, a participação das importações do agronegócio no total importado pelo Brasil caiu para 15,1%, ante 15,9% em 2024, o menor patamar dos últimos sete anos”, conclui.