O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo retorna em 2025 com destaque para o papel do agronegócio no setor
Foto: SDA 2025

Resumo da notícia

  • Salão do Automóvel retorna e recebe o agro como força em inovação, energia limpa e mobilidade sustentável.
  • John Deere estreia no evento com máquinas avançadas já preparadas para biodiesel, B100 e novas matrizes energéticas.
  • Etanol ganha protagonismo como biocombustível competitivo, com menor emissão no ciclo de vida que veículos elétricos fósseis.
  • Lecar desenvolve híbridos-flex com etanol e projeta levar tecnologia nacional ao mundo, incluindo picape com alta autonomia.
  • Novas políticas energéticas ampliam mistura de biocombustíveis e devem destravar bilhões em investimentos e empregos.

Depois de um hiato de sete anos, o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo retorna com força em 2025, reafirmando seu papel de maior vitrine da indústria automotiva da América Latina. A 31ª edição do evento, realizada entre 22 e 30 de novembro no Distrito do Anhembi, reúne mais de 300 modelos de veículos e deve atrair mais de 700 mil visitantes. 

O reencontro do público com o Salão abriu espaço para que empresas ligadas ao agronegócio apresentassem inovação, desempenho e, sobretudo, soluções baseadas em biocombustíveis.

John Deere estreia destacando máquinas preparadas para biocombustíveis

Pela primeira vez na história do evento, a John Deere ocupa um estande no Salão e é a única fabricante de máquinas pesadas presente nesta edição. A companhia leva ao público a pá-carregadeira 624 P e o trator 7M, ambos equipados com tecnologias avançadas de automação e já preparados para operar com biocombustíveis.

Segundo a empresa, as máquinas deixam a fábrica adaptadas para misturas mais elevadas de biodiesel e com foco no avanço do B100, combustível vegetal renovável. De acordo com Thomas Spana, gerente de Marketing para a América Latina, a presença da companhia no evento busca evidenciar como essa combinação de força e inteligência se traduz em desempenho, precisão e eficiência. “O foco é entregar máquinas preparadas para diferentes matrizes energéticas, acompanhando a evolução do setor e oferecendo alternativas sustentáveis aos operadores”, afirma.

A presença da John Deere no Salão reforça a convergência entre o agro e a mobilidade sustentável, especialmente em um momento de expansão dos biocombustíveis no Brasil. Como destaca o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, “o mundo ainda não conhece o calibre e o potencial do etanol para a mobilidade sustentável global”. Considerando o ciclo de vida completo, os veículos a etanol são hoje mais limpos que os elétricos europeus e chineses abastecidos por energia derivada de fontes fósseis.

O campo acompanha esse movimento. A projeção da consultoria para a safra 2025/26 aponta que as usinas do Centro-Sul devem processar 607,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, resultando numa produção de 33,5 bilhões de litros de etanol. Já o etanol de milho, em franca expansão, deve alcançar 9,78 bilhões de litros nesta temporada, com expectativa de empatar com o etanol de cana dentro de dez anos.

Atualmente, o Brasil conta com 28 usinas dedicadas ao etanol de milho, com capacidade conjunta de 12,32 bilhões de litros por ano, além de outras 17 unidades em construção e 18 projetos em desenvolvimento.

O momento em apostar nos biocombustíveis nunca foi tão oportuno. Em agosto deste ano, o governo federal ampliou a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 14% para 15% (B15) e autorizou o aumento do etanol anidro na gasolina de 27% para até 30% (E30).

As medidas devem destravar R$ 10,14 bilhões em investimentos, sendo R$ 8,45 bilhões para expansão industrial e R$ 1,69 bilhão para renovação de máquinas agrícolas. As estimativas incluem ainda a criação de 51,6 mil empregos e a redução anual de 3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

Lecar aposta no híbrido-flex e quer levar o etanol ao mundo

Outro destaque do Salão é a montadora brasileira Lecar, que adota o etanol como pilar de sua estratégia industrial. “Queremos ser a marca embaixadora do etanol brasileiro para o mundo”, afirma o fundador e CEO, Flávio Figueiredo de Assis.

A empresa está desenvolvendo três modelos com tecnologia híbrida-flex em parceria com a brasileira Weg e a Horse (fabricante de motores da Renault). Um dos protótipos, a picape Campo, apresentou autonomia inicial de cerca de 33 quilômetros por litro de etanol.

A fábrica da Lecar, prevista para iniciar obras no primeiro trimestre de 2026, será construída em Sooretama (ES), com capacidade de 120 mil veículos por ano e geração de 1.300 empregos.

Entre as grandes montadoras globais, a visão é semelhante. Segundo João Irineu Medeiros, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, o futuro da mobilidade sustentável passa pelos híbridos-flex e pelos bio-hybrids, modelos que utilizam eletricidade combinada ao etanol.

“O ciclo de vida do etanol é mais equilibrado que o do elétrico puro, e o híbrido-flex representa o melhor dos dois mundos. O Brasil está à frente do seu tempo nessa transição energética, conciliando inovação, baixo custo e redução de emissões”, afirmou.