
O presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), José Otávio Machado Menten, foi designado para integrar o grupo de trabalho que irá conduzir uma discussão nacional sobre o ensino da Engenharia Agronômica/Agronomia no Brasil. A nomeação foi oficializada pela Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA), por meio da Portaria nº 01/2026, publicada em 2 de fevereiro.
O grupo de trabalho também será composto pelos acadêmicos titulares Laércio Zambolim e Kleber Souza dos Santos. O grupo terá como atribuição analisar o cenário atual da formação em Agronomia, identificar desafios estruturais e avaliar os impactos das recentes mudanças promovidas pelo Ministério da Educação (MEC) nos formatos dos cursos de graduação.
A criação do grupo ocorre em um momento de transição para o ensino superior no país. Em maio de 2025, o Decreto nº 12.456 e a Portaria MEC nº 378 alteraram critérios estatísticos e classificatórios dos cursos de graduação, com efeitos diretos sobre a ampliação e a reorganização das modalidades semipresencial e a distância.
Levantamento atualizado sobre os cursos de Agronomia/Engenharia Agronômica indica que o Brasil possui mais de 780 cursos autorizados pelo MEC. Desse total, 499 presenciais estão efetivamente em funcionamento, concentrando cerca de 45,6 mil vagas. Paralelamente, observa-se um crescimento expressivo nas autorizações para cursos semipresenciais e EaD, muitos ainda não iniciados, o que tem ampliado o debate técnico e acadêmico sobre a qualidade da formação e a adequação desses modelos às exigências práticas da profissão.
Para José Otávio Machado Menten, a discussão sobre os formatos de ensino deve considerar a complexidade crescente do setor agropecuário e os impactos da formação profissional sobre a sociedade.
“A formação do engenheiro agrônomo tem reflexos diretos na segurança alimentar, na sustentabilidade da produção e na competitividade do agro brasileiro. Mudanças nos modelos de ensino precisam ser analisadas com base técnica, responsabilidade e diálogo com a ciência”, afirma.
O Grupo de Trabalho da ABCA deverá atuar como um fórum técnico permanente, reunindo dados, análises e contribuições de especialistas, instituições de ensino e entidades representativas, com o objetivo de subsidiar posicionamentos e propostas sobre o futuro da formação em Engenharia Agronômica/Agronomia no país.