
A compactação do solo é um dos principais desafios na sustentabilidade e da produtividade agrícola, principalmente em áreas submetidas ao tráfego intenso de máquinas, baixa diversidade de culturas e com ausência de cobertura vegetal permanente. Esse processo eleva a densidade do solo, reduz a macroporosidade e limita o crescimento das raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes pelas plantas.
Diante desse cenário, estratégias de manejo que promovem a recuperação física do solo de forma gradual e contínua têm se consolidado como alternativas relevantes. Entre elas, destaca-se a chamada descompactação biológica, proporcionada por gramíneas forrageiras com sistemas radiculares profundos e bem distribuídos. Espécies do gênero Urochloa (sin. Brachiaria), como Xaraés, Piatã e Ruziziensis, são amplamente reconhecidas pelo potencial de contribuir para a melhoria da estrutura do solo.
Essas gramíneas desenvolvem raízes densas e ramificadas, capazes de explorar camadas compactadas do perfil do solo. Ao crescerem, formam canais contínuos, conhecidos como bioporos, que permanecem ativos mesmo após a dessecação das plantas. Esses canais favorecem o crescimento radicular das culturas subsequentes, além de melhorar a infiltração de água e a troca gasosa, fatores essenciais para o bom funcionamento do sistema produtivo.
A descompactação biológica ocorre de forma progressiva, diferentemente do revolvimento mecânico do solo, que pode causar desestruturação dos agregados e aumentar a suscetibilidade à erosão. O crescimento contínuo das raízes promove uma reorganização natural da estrutura, o que aumenta a estabilidade dos agregados e favorece processos biológicos essenciais à saúde do ambiente edáfico. Além disso, a decomposição das raízes ao longo do tempo contribui para o aporte de carbono orgânico, estimulando a atividade microbiana.
Os benefícios do uso de plantas de cobertura vão além da melhoria física. Essas espécies também desempenham papel importante na ciclagem de nutrientes, na supressão de plantas daninhas e no aumento da eficiência do uso de insumos.
Em sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária, as gramíneas forrageiras cumprem dupla função: contribuem para a recuperação e proteção do solo e, simultaneamente, para a produção de forragem, otimizando o uso da área ao longo do ano agrícola.
Nos últimos anos, a adoção de práticas conservacionistas deixou de ser apenas uma recomendação técnica e passou a integrar estratégias de gestão de risco no setor agropecuário. Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, sistemas baseados em solos mal estruturados tornam-se mais vulneráveis a perdas produtivas. Já os cobertos e biologicamente estruturados apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, o que contribui para maior estabilidade da produção em cenários adversos.