Boas Práticas Agrícolas reduzem riscos de contaminação, preservam equipamentos e contribuem para a sustentabilidade da produção
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O uso de insumos e tecnologias modernas é um passo importante para o bom desempenho das lavouras, mas os resultados no campo também dependem da adoção de Boas Práticas Agrícolas Operacionais. Entre elas, a limpeza adequada dos pulverizadores se destaca como uma etapa essencial para garantir eficiência nas aplicações, segurança para as culturas e menor impacto ambiental.

A higienização correta do tanque e dos componentes do pulverizador após a aplicação de herbicidas é fundamental para evitar a contaminação cruzada, que pode causar danos por fitotoxicidade em culturas sensíveis. Além disso, o procedimento contribui para a conservação do equipamento e para a proteção do investimento realizado pelo produtor rural, explica Vlader Henrique Cordioli, especialista em Boas Práticas Agrícolas.

Segundo o especialista, resíduos de determinados herbicidas podem provocar efeitos severos mesmo em concentrações muito baixas. O problema se agrava porque esses resíduos tendem a se acumular em pontos menos visíveis do sistema de pulverização, como filtros, válvulas, conexões e sensores de fluxo. Uma limpeza inadequada pode resultar em dois riscos principais: prejuízos à cultura subsequente e redução da eficácia da nova calda preparada, ambos com impacto direto na rentabilidade da produção.

A limpeza correta do tanque e dos circuitos internos da máquina também favorece a qualidade da aplicação, ao evitar entupimentos de filtros, peneiras e pontas de pulverização

Em equipamentos mais modernos, como pulverizadores autopropelidos, que possuem sistemas hidráulicos mais complexos, o cuidado deve ser ainda maior. Componentes como bombas, telas e extremidades do sistema, mesmo não sendo facilmente visíveis, entram em contato com os produtos e precisam ser completamente higienizados ao final das operações.

De acordo com as recomendações técnicas, quando a aplicação seguinte for realizada na mesma cultura tolerante ao herbicida utilizado anteriormente, um enxágue simples costuma ser suficiente. Nesse caso, o procedimento envolve a drenagem do sistema, o enchimento do tanque com pelo menos 10% de seu volume com água limpa e a liberação do líquido pelas pontas de pulverização.

Já quando a próxima aplicação ocorrer em outra cultura, ou na mesma cultura com sementes não tolerantes ao defensivo, é necessário adotar o procedimento de tríplice lavagem. Esse processo inclui uma primeira lavagem apenas com água, uma segunda com a adiçãode um agente limpante e uma terceira novamente com água limpa.