
Resumo da notícia
- As vendas de máquinas agrícolas devem crescer 3,4% em 2026, impulsionadas pela expectativa de queda dos juros.
- Preços baixos da soja e do milho reduzem a rentabilidade e o apetite por investimentos, mesmo com previsão de safra cheia.
- Outras culturas, como café, algodão e citros, com preços mais favoráveis, podem estimular compras; há recursos disponíveis no Moderfrota.
- Em 2025, as vendas de máquinas ficaram aquém do previsto, embora o acumulado do ano siga positivo.
- O consórcio surge como opção no cenário econômico atual; a locação de máquinas ainda é limitada a grandes grupos.
Mesmo ainda sem o fechamento do ano de 2025, as expectativas para as vendas de máquinas agrícolas apontam para uma alta de 3,4% em 2026, indicam projeções da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as duas entidades que monitoram este mercado em alcance nacional.
A projeção de crescimento moderado reside na expectativa da queda das taxas de juros, embora, ao mesmo tempo, a conjuntura tem como desafio os custos elevados. Fatores como preços acomodados das principais commodities e a instabilidade geopolítica global podem frear investimentos por parte dos produtores rurais, a despeito da estimativa de mais uma safra cheia de grãos.
“Devemos ter um mercado parecido com o do ano passado. Soja e milho, culturas que juntas abrangem 60% dos produtores que adquirem maquinários e implementos agrícolas, estão com cotações pressionadas – para não dizer baixas –, o que impacta a rentabilidade da atividade – que não está no negativo –, mas que diminui o apetite por novas compras”, avalia o presidente da CSMIA, Pedro Estevão Bastos de Oliveira, que acrescenta: “a Selic deve cair, mas, provavelmente, apenas a partir do segundo semestre“.
Por outro lado, o dirigente pondera que outras culturas, como café, algodão e citros, que registram preços mais favoráveis ao produtor rural, têm maior potencial para movimentar os negócios no segmento de maquinário agrícola. Pedro Estevão menciona, ainda, que ao contrário de ciclos anteriores nesta data, o Moderfrota, linha do Plano Safra dedicada ao financiamento de máquinas agrícolas, tem recursos disponíveis.
A análise do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers/RS) é semelhante, de avanço moderado, condicionado principalmente ao comportamento dos juros, à oferta de crédito e à renda do produtor rural. “A indústria já mostrou capacidade de reagir em 2025, mas o avanço em 2026 dependerá diretamente do acesso ao crédito e do custo do financiamento. Juros elevados limitam a decisão de compra do produtor e adiam investimentos em modernização”, afirma a vice-presidente do Simers/RS, Carolina Rossato.
Balanço de 2025
“Apesar do aumento das vendas no atacado, o mercado de máquinas agrícolas ficou abaixo da expectativa em 2025, resultado da baixa rentabilidade do produtor rural, elevado grau de endividamento e altas taxas de juros, que impediram melhores resultados para o segmento”, explica o presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior.
Na mais recente leitura da entidade, em novembro de 2025, as vendas de tratores registraram queda mensal de 23,8% e anual de 5,1%. “Ainda assim, o segmento segue positivo no acumulado do ano, com 48.673 unidades vendidas em 2025, numa alta de 16,5% em relação ao mesmo período de 2024, com os negócios sendo puxados pelos modelos de menor porte, em sua maioria de até 100hp“, ressalta.
Já na categoria de colheitadeiras, a comercialização em novembro de 2025 apresentou recuo mensal de 10,8% e anual de 14,7%, totalizando 272 unidades no mês. “No acumulado de 2025, porém, o desempenho permanece no azul, com 2.912 unidades vendidas, incremento de 7,5% frente às 2.710 unidades em igual período de 2024″, destaca Arcelio Junior.
A Fenabrave esclarece que, por tratores e colheitadeiras não serem emplacadas, os resultados do setor de máquinas agrícolas sempre contam com um mês de defasagem, devido ao trabalho de coleta de dados junto aos fornecedores.
Consórcio e aluguel como alternativas
Estevão, da CSMIA/Abimaq, comenta que o consórcio é uma modalidade que pode funcionar como opção para o produtor rural neste momento. Já o formato de locação de máquinas agrícolas, diz o dirigente, ainda carece de maturidade, se restringindo mais a grandes grupos agrícolas, que conseguem, de fato, ter estrutura financeira para avaliar se faz sentido comprar ou alugar. “É uma parcela ainda pequena do mercado“.