
Um estudo publicado no Soil Science Society of America Journal aponta que o manejo de plantas daninhas em áreas de pastagem tem impacto direto sobre os estoques de carbono e nitrogênio no solo, com reflexos tanto na sustentabilidade ambiental quanto na produtividade pecuária. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Flórida, em parceria com instituições de pesquisa do Brasil e dos Estados Unidos.
De acordo com os resultados, áreas de pastagem infestadas por espécies invasoras, como o caruru-espinhoso, apresentaram redução média de 15% no estoque de carbono orgânico do solo quando comparadas a áreas manejadas e livres de plantas daninhas. A diferença está relacionada à menor produção de biomassa subterrânea, junto da alteração no padrão de pastejo dos animais.
Em ambientes com alta infestação de plantas invasoras, o gado tende a evitar determinadas áreas do pasto, o que compromete a ciclagem de nutrientes e o equilíbrio do sistema solo-planta-animal. Esse comportamento contribui para a degradação localizada do solo e para a redução do aporte de matéria orgânica.
Os pesquisadores destacam que o controle da matocompetição favorece o desenvolvimento radicular das forrageiras, ampliando o acúmulo de carbono no solo. No estudo, as raízes da grama-bermuda apresentaram densidade até seis vezes maior do que a das plantas invasoras avaliadas, o que reforça o papel das forrageiras bem estabelecidas no sequestro de carbono.
Além do carbono, o manejo adequado das pastagens também influenciou positivamente os estoques de nitrogênio no solo, elemento essencial para a fertilidade e para a manutenção da produtividade ao longo do tempo. Segundo os autores, sistemas de pastagem com maior cobertura vegetal e menor presença de invasoras tendem a ser mais resilientes do ponto de vista ambiental.
O trabalho reforça que práticas de manejo que priorizam a manutenção de pastos produtivos e bem estabelecidos podem contribuir para a agenda climática, ao aumentar o sequestro de carbono no solo e reduzir a necessidade de abertura de novas áreas para a pecuária.