
A antecipação de decisões produtivas é considerada como um dos principais fatores para atravessar o atual momento do ciclo pecuário. Desde o fim de 2025, o cenário de preços mais estáveis reforçou a necessidade de ajustes internos nas fazendas, especialmente no manejo das pastagens, que deixou de ser apenas uma variável operacional para se tornar um elemento central da rentabilidade.
Com o mercado físico e futuro operando sem grandes oscilações no início de 2026, a produção de arrobas a baixo custo dentro da própria propriedade tende a ser o principal diferencial competitivo. Nesse contexto, a gestão do estoque animal, que envolve decisões sobre reposição, descarte e intensificação, ganha protagonismo diante da menor expectativa de ganhos exclusivamente via preço.
Segundo análise de Vanderlei Finger, gerente corporativo de Originação da MFG Agropecuária, o foco está na eficiência biológica do sistema. “O manejo adequado direciona as melhores pastagens para os animais com maior capacidade de conversão alimentar durante o período das águas, enquanto a terminação intensiva pode ser usada para acelerar o acabamento de categorias mais pesadas”, explica.
Na prática, a estratégia passa pelo momento correto de saída dos animais. Bovinos que já atingiram peso e acabamento adequados devem ser destinados ao abate, evitando custos adicionais. Já os animais intermediários, que apresentam eficiência decrescente no ganho a pasto, podem ser direcionados à terminação intensiva, liberando área para categorias mais jovens.
Esse ajuste reduz a pressão sobre as pastagens e otimiza o uso do principal insumo da pecuária extensiva: o capim. Ao mesmo tempo, favorece a entrada de bezerros e animais em recria, que apresentam maior resposta produtiva durante o período chuvoso.
Além do impacto direto sobre o custo da arroba, a adequação da taxa de lotação contribui para o planejamento forrageiro ao longo do ano. Com menor pressão de pastejo nas águas, o produtor consegue manejar melhor a altura do capim e formar áreas vedadas para uso no período seco.
“Esse manejo cria uma reserva forrageira que aumenta a segurança no inverno e reduz a necessidade de vendas forçadas em momentos de menor oferta de alimento”, avalia Finger. A estratégia também contribui para diluir custos ao longo do ciclo produtivo, ao aproveitar melhor o potencial das pastagens nos períodos de maior crescimento.