Foto: Wenderson Araujo/CNA
Foto: Wenderson Araujo/CNA

As demandas interna e externa pela carne bovina brasileira devem seguir em crescimento em 2026. Já o aumento da produção nacional será desafiador, mas não se descarta uma nova expansão, ainda que comedida.

A análise consta no mais recente boletim semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), que traz as principais perspectivas para o mercado pecuário neste ano.

Segundo o documento, os preços dos animais e da carne bovina devem ter boa sustentação, com tendência de alta. No contexto global, as projeções são de diminuição de oferta de carne e, por consequência, os preços devem ser fortalecidos, reiterando o estímulo à produção.

A pecuária brasileira vem “embalada” a ponto de ter se tornado a maior do mundo em 2025, conforme divulgação recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Pela primeira vez, o Brasil produziu mais carne que os Estados Unidos.

Na via da demanda, segundo pesquisadores do Cepea-Esalq/USP, fundamentos sinalizam crescimento tanto no mercado doméstico quanto para exportação.

“Num ano em que acontecem eleições gerais no Brasil e Copa do Mundo, a tendência é que haja mais dinheiro em circulação. Mesmo com contas pendentes atrapalhando parcialmente o consumo, outros fundamentos macroeconômicos podem estimular as vendas domésticas de carne bovina”, explica o centro de pesquisas.

“O consumidor estrangeiro também deve manter firme a procura pela carne brasileira, tendo em vista a dificuldade de outros grandes produtores recuperarem suas ofertas em curto prazo”, acrescenta. Com o dólar acima de R$ 5, a carne brasileira se mantém competitiva e tende a sustentar mais um ano de crescimento das exportações.

Pelo lado da produção, o maior desafio, segundo pesquisadores do Cepea-Esalq/USP, pode ser a dificuldade de se encontrarem bons lotes de bois magros. Além da quantidade, a qualidade dos animais de reposição é um ponto de alerta.

“Ainda que a taxa de lotação de confinamentos se mantenha elevada ou em crescimento, se os animais que entram não tiverem base genética propensa ao ganho de peso ou se estiverem leves demais, a produção pode ser menos eficiente e apertar as margens dos confinadores”, finaliza.