Preços dos suínos registram ganhos no mês de maio, mesmo com queda pontual na última semana afirma o Cepea
Foto: Saraí Zuno/Pexels

A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra dados sanitários de granjas em todo o Brasil.

O objetivo é fortalecer a vigilância epidemiológica, otimizar o controle de doenças e reforçar a sustentabilidade da suinocultura nacional.

A iniciativa é inédita no país e se apoia na cooperação com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs) para consolidar milhares de exames laboratoriais em um sistema padronizado e interoperável.

Os dados serão usados para análises preditivas, geração de relatórios técnicos e embasamento de políticas públicas e ações privadas de sanidade animal.

Plataforma fortalece sanidade e competitividade da suinocultura

Segundo a pesquisadora Janice Zanella, líder da iniciativa, o Brasil é um dos maiores exportadores de carne suína do mundo e a manutenção da saúde dos rebanhos é fundamental para garantir produtividade e acesso aos mercados internacionais.

A CISS permite o monitoramento em tempo real de doenças como:

  • Pneumonia enzoótica dos suínos (Mycoplasma hyopneumoniae);
  • Circovirose suína (PCV2);
  • Influenza suína e outros agentes do Complexo Respiratório Suíno (PRDC).

De acordo com a Embrapa, essas doenças causam prejuízos relevantes, como redução no ganho de peso, condenações de carcaças, maior uso de antibióticos e aumento na mortalidade dos animais.

Base nacional de dados sanitários de suínos

A CISS reúne dados laboratoriais anonimizados e estruturados, que permitem:

  • Acompanhamento de tendências por estado, faixa etária, tipo de produção e época do ano;
  • Identificação de padrões sazonais e picos de infecção;
  • Embasamento técnico para ações de biosseguridade e controle sanitário nas granjas.

Entre outubro de 2019 e dezembro de 2025, foram analisadas 253.674 amostras para Mycoplasma hyopneumoniae, gerando 10.821 registros, com pico de positividade de 38% em maio de 2022.

Integração com rede laboratorial e conceito de Saúde Única

A plataforma materializa o conceito de Saúde Única, ao integrar saúde animal, humana e ambiental. Animais mais saudáveis resultam em:

  • Menor uso de antibióticos;
  • Menor impacto ambiental;
  • Alimentos mais seguros para o consumo humano.

Além disso, a CISS fortalece a rede de laboratórios veterinários, por meio da padronização de dados com protocolos como LOINC e SNOMED CT, e da capacitação técnica de profissionais em todo o Brasil.

Modelo segue referência internacional dos EUA

Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS) da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS poderá ampliar sua atuação para outros patógenos e análises mais complexas no futuro.

Estudos já apontam alta positividade de PCV2d, genótipo predominante no país entre 2020 e 2025, com casos relevantes de coinfecção com PCV2b.

A plataforma também deverá integrar dados de influenza com potencial zoonótico, auxiliando na prevenção de surtos e na proteção da saúde pública.