
A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra dados sanitários de granjas em todo o Brasil.
O objetivo é fortalecer a vigilância epidemiológica, otimizar o controle de doenças e reforçar a sustentabilidade da suinocultura nacional.
A iniciativa é inédita no país e se apoia na cooperação com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs) para consolidar milhares de exames laboratoriais em um sistema padronizado e interoperável.
Os dados serão usados para análises preditivas, geração de relatórios técnicos e embasamento de políticas públicas e ações privadas de sanidade animal.
Plataforma fortalece sanidade e competitividade da suinocultura
Segundo a pesquisadora Janice Zanella, líder da iniciativa, o Brasil é um dos maiores exportadores de carne suína do mundo e a manutenção da saúde dos rebanhos é fundamental para garantir produtividade e acesso aos mercados internacionais.
A CISS permite o monitoramento em tempo real de doenças como:
- Pneumonia enzoótica dos suínos (Mycoplasma hyopneumoniae);
- Circovirose suína (PCV2);
- Influenza suína e outros agentes do Complexo Respiratório Suíno (PRDC).
De acordo com a Embrapa, essas doenças causam prejuízos relevantes, como redução no ganho de peso, condenações de carcaças, maior uso de antibióticos e aumento na mortalidade dos animais.
Base nacional de dados sanitários de suínos
A CISS reúne dados laboratoriais anonimizados e estruturados, que permitem:
- Acompanhamento de tendências por estado, faixa etária, tipo de produção e época do ano;
- Identificação de padrões sazonais e picos de infecção;
- Embasamento técnico para ações de biosseguridade e controle sanitário nas granjas.
Entre outubro de 2019 e dezembro de 2025, foram analisadas 253.674 amostras para Mycoplasma hyopneumoniae, gerando 10.821 registros, com pico de positividade de 38% em maio de 2022.
Integração com rede laboratorial e conceito de Saúde Única
A plataforma materializa o conceito de Saúde Única, ao integrar saúde animal, humana e ambiental. Animais mais saudáveis resultam em:
- Menor uso de antibióticos;
- Menor impacto ambiental;
- Alimentos mais seguros para o consumo humano.
Além disso, a CISS fortalece a rede de laboratórios veterinários, por meio da padronização de dados com protocolos como LOINC e SNOMED CT, e da capacitação técnica de profissionais em todo o Brasil.
Modelo segue referência internacional dos EUA
Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS) da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS poderá ampliar sua atuação para outros patógenos e análises mais complexas no futuro.
Estudos já apontam alta positividade de PCV2d, genótipo predominante no país entre 2020 e 2025, com casos relevantes de coinfecção com PCV2b.
A plataforma também deverá integrar dados de influenza com potencial zoonótico, auxiliando na prevenção de surtos e na proteção da saúde pública.