
Pesquisadores da Unesp de Rio Claro e da PUC-RS identificaram uma nova espécie de cigarrinha que ameaça lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, ampliando o conhecimento científico sobre o inseto e reforçando a necessidade de estratégias mais precisas de controle.
Um dos autores do artigo, Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello, professor do Instituto de Biociências, atua há 14 anos no laboratório do Departamento de Biologia Geral e Aplicada, em que se dedica ao estudo da evolução genômica de insetos.
Ao longo desse trabalho, ele passou a ser procurado por empresas agrícolas interessadas em entender por que a cigarrinha vinha resistindo aos defensivos normalmente aplicados. “Alguns produtores estavam enfrentando dificuldades para controlar a praga por meio de defensivos químicos, por isso, pediram nossa ajuda”, diz o docente.
A equipe nomeou a nova espécie como Mahanarva diakantha, que se soma às já conhecidas cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata) e Mahanarva spectabilis.
Investigação conjunta e resultados
A discussão ganhou força quando uma pesquisadora da Embrapa em Araras levantou a possibilidade de que a praga fosse outra espécie e enviou amostras para um grupo da PUC-RS especializado em taxonomia de insetos.
A partir dessa hipótese, as equipes da Unesp e da PUC-RS iniciaram uma colaboração em duas frentes: a análise morfológica, conduzida pelos pesquisadores Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, e o estudo genético, liderado por Mello.
Com o avanço das análises, as evidências confirmaram a existência de uma nova espécie. Para isso, os pesquisadores compararam amostras coletadas junto a produtores rurais com dados da M. fimbriolata e da M. spectabilis, identificando semelhanças e diferenças genéticas. Graças a um marcador de DNA presente nas mitocôndrias, o professor Diogo conseguiu distinguir as espécies.
Entre 2012 e 2015, os pesquisadores analisaram mais de 300 indivíduos coletados em usinas de cana-de-açúcar. “Do ponto de vista genético, havia uma diferença marcante, mas que não era muito grande do ponto de vista quantitativo. Para estabelecer a diferenciação entre as espécies de insetos, não há um número estabelecido de variações do DNA. Isso vai depender do grupo em questão. No caso dos mamíferos, já está bem estabelecido. Insetos, porém, são um grupo muito mais diverso e é difícil estabelecer os parâmetros”, diz Mello.
A identificação da nova espécie abre caminho para o desenvolvimento de estratégias e produtos de controle mais eficazes. “Mesmo que as espécies sejam próximas, um produto pode ser eficaz contra uma (praga), mas não contra outra. Aparentemente era isso que estava sendo observado nas usinas”, explica o docente.