O faturamento das exportações de frutas do Brasil devem crescer em decorrência do acordo Mercosul-União Europeia, que beneficia o agro local
Foto: pvproductions/Freepik

Resumo da notícia

  • O acordo Mercosul–União Europeia prevê a redução gradual de tarifas sobre as frutas brasileiras, ampliando o acesso ao mercado europeu.
  • A Europa segue como principal destino das exportações, com alta em valor e volume e destaque para manga, melão, limão, uva e melancia.
  • O fim das tarifas aumenta a competitividade do Brasil frente aos concorrentes da América Central e do Sul.
  • A expectativa é que o faturamento da fruticultura cresça 40% até 2030, alcançando US$ 1,8 bilhão.
  • Planejamento, certificações e agregação de valor serão decisivos para produtores aproveitarem o novo cenário.

Assinado no último sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai, o acordo Mercosul-União Europeia tem potencial de gerar novas oportunidades e negócios para a fruticultura brasileira, com a gradual redução de tarifas para ingresso no mercado europeu, que hoje giram em torno de 10% para as frutas.

A Europa é o principal destino das frutas brasileiras, com os embarques crescendo 12,8% em valor [US$ 967 milhões] e 19,1% em volume [949 mil toneladas] no ano passado, indicam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A pauta exportadora da fruticultura brasileira para o velho continente tem como destaques manga, melão, limão, abacate, uva, melancia, maçã e mamão.

No caso da uva, por exemplo, a alíquota de 11% será zerada assim que o tratado passar a valer. Os impostos sobre outras frutas, como abacate, limão, melão e melancia vão levar mais tempo para acabar, entre sete e dez anos. O maior prazo é o da maçã: uma década.

“A retirada das tarifas tende a baratear o produto brasileiro, ampliar a competitividade e estimular o consumo entre os europeus”, assinala o diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos

“O custo tarifário reduzia a competitividade do Brasil frente a países concorrentes da América Central e da América do Sul, como Peru, Equador e Colômbia, que contam com isenções ou impostos reduzidos por integrarem o Sistema Geral de Preferências (SGP) da União Europeia. Com o tratado, o jogo muda favoravelmente para nós”, acrescenta o dirigente. 

Para a especialista no tema, a engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil, Patrícia Cesarino, o acordo entre Mercosul-UE representa um divisor de águas para o agro brasileiro. “A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva.”

A executiva observa que os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. “Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, completa Patrícia. 

Barcelos lembra que a fruticultura brasileira não concorre diretamente com a produção europeia, pois atua em janelas complementares de oferta. “O Brasil exporta frutas como melão e melancia em períodos de entressafra europeia, além de frutas tropicais que não são produzidas localmente ao longo de todo o ano, o que reduz riscos de competição direta com produtores do bloco.”

Faturamento da fruticultura deve crescer 40% 

A estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é de que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance o valor de US$ 1,8 bilhão até 2030. Em 2025, de acordo com dados da Abrafrutas, as exportações totais do setor alcançaram US$ 1,45 bilhão, um novo recorde histórico pelo terceiro ano consecutivo, com crescimento de 12% em valor e 19,6% em volume.

Principais frutas brasileiras exportadas em 2025: 

  • Manga: US$ 335 milhões, queda de 4%;
  • Melão: US$ 231 milhões, aumento de 24,9%;
  • Limão e lima: US$ 199 milhões, alta de 1,5%;
  • Uva: US$ 158 milhões, recuo de 0,13%;
  • Melancia: US$ 115 milhões, alta de 57,1%.

“Com o acordo UE-Mercosul, além do aumento das exportações, teremos diversificação da pauta exportadora e maior entrada de divisas no país, com impacto especialmente positivo para o Nordeste, região onde se concentra grande parte da produção de frutas destinadas ao mercado externo“, complementa Barcelos.

Como se preparar para exportar

Para o fruticultor e agroindústria que atua no segmento das frutas e vê finalmente no acordo UE-Mercosul a oportunidade para começar a exportar, a consultora do Programa AgroBR, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com a ApexBrasil, Monnike Garcia, pontua que o arranque nesta jornada de internacionalização exige, de fato, uma preparação adequada e especial.

“Este planejamento inclui, por exemplo, conhecer os requisitos para exportar, cumprir eventuais certificações exigidas, estruturar estratégias de comercialização e posicionar o produto de forma competitiva, valorizando seus diferenciais”, explica. 

Monnike ressalta, ainda, que numa cadeia como a da fruticultura a agregação de valor amplia o horizonte de negócios. “Quando você adiciona valor ao produto, por exemplo, produzindo geleias, sucos e polpas a partir das frutas como matéria-prima surgem novas oportunidades em comparação à venda somente do item in natura”. Além disso, acentua a consultora, certificações, como orgânicos, Indicação Geográfica e rastreabilidade, são diferenciais a serem trabalhados.