As lavouras de milho de Santa Catarina avançam para estádios mais desenvolvidos, principalmente entre V10 e R4, indicando que a fase de maior risco de infecção por patógenos transmitidos pela cigarrinha-do-milho já passou. Levantamento realizado entre 10 e 17 de novembro mostra média estadual de 11 insetos por armadilha, número compatível com a série histórica do Programa Monitora Milho SC, embora municípios do Grande Oeste, como Ipira, Guatambu, Saudades e Guaraciaba, registrem índices mais altos de infestação.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

Será lançado nesta terça-feira (27), em Uberaba (MG), o projeto Rede Sentinela – Observatório para Monitoramento de Cigarrinha-do-Milho, iniciativa voltada ao acompanhamento sistemático de insetos e pragas que impactam diretamente a produtividade do milho. O evento ocorre a partir das 8h, no Salão da ABCZ Mulher, e contará com a apresentação oficial do projeto, divulgação dos resultados do primeiro boletim e palestras com especialistas do setor.

A Rede Sentinela é uma realização da Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) em parceria com as empresas JuliAgro, ColeAgro e a startup FitoWise. A iniciativa conta ainda com o apoio do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), da Epamig, da Algar Farming e da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

O projeto tem como foco o monitoramento da cigarrinha-do-milho e da cigarrinha-africana, insetos vetores de doenças que podem causar perdas expressivas às lavouras do cereal. O acompanhamento da praga é considerado uma ferramenta estratégica para orientar o manejo e apoiar a tomada de decisão dos produtores rurais.

O monitoramento teve início em agosto de 2025, com a instalação de pontos de coleta em Uberaba, Uberlândia, Contagem (MG) e Barretos (SP). Cada ponto conta com armadilhas posicionadas próximas às lavouras de milho, que são avaliadas quinzenalmente. Após o lançamento oficial do observatório, os boletins técnicos com os resultados passarão a ser divulgados mensalmente.

Segundo o professor Luan Odorizzi, docente da Fazu e um dos organizadores, a iniciativa surgiu a partir da aproximação entre profissionais do setor. “A ideia nasceu de uma conversa com a pesquisadora Gabriela Vieira, da JuliAgro, e percebemos o potencial positivo do monitoramento para a região”, afirma.

O projeto é coordenado pela Fazu, pelos professores Diego Fraga e Luan Odorizzi, com apoio de alunos de Engenharia Agronômica. Neste semestre, a Rede Sentinela também será formalizada como projeto de Extensão Universitária, reforçando a integração entre ensino, pesquisa e o agronegócio regional.