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Câmara de Comércio Brasil-China mapeia novos negócios entre os países no segmento de maquinário agrícola

Instituição busca potenciais empresas brasileiras interessadas em estabelecer parcerias com grupos chineses fabricantes de máquinas agrícolas e drones para uso na agricultura familiar

A imagem ilustra uma colheitadeira da Massey Ferguson
Foto: Divulgação/Massey Ferguson

O presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, disse, no CCAgro, que a instituição está mapeando potenciais investidores e/ou empresas do Brasil interessados em estabelecer parcerias com grupos chineses fabricantes de máquinas agrícolas e drones para uso na agricultura. 

“Estamos identificando possíveis parceiros brasileiros para novos negócios. Este grupo chinês, o qual ainda não posso revelar o nome, é especializado em maquinário para agricultura familiar a um preço por unidade em torno de US$ 1,5 mil”, ressaltou.  

Ao comentar o cenário geopolítico global, em particular a agenda tarifária comercial implantada pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, Tang assinalou que este movimento é favorável para as relações Brasil-China

“Podemos comprar mais do Brasil. As tarifas no fundo, são um imposto para o povo norte-americano, trazem inflação e recessão. A China também quer fazer negócios com os Estados Unidos, mas não aceita imposições. Tem que ser por meios diplomáticos”, afirmou Tang.

Além do vaivém de mercadorias, o presidente da Câmara de Comércio acentuou que o Brasil também se beneficia das relações com a China por meio de intercâmbio tecnológico e investimentos diretos. “Pequim vai investir mais no Brasil, em particular em infraestrutura”, antecipou.

Na oportunidade, Tang adiantou, ainda, que a Câmara também está organizando missões de produtores rurais e cooperativas agrícolas do Brasil para a China, com o objetivo de estreitar laços entre o agro brasileiro e compradores chineses. 

“Já fizemos este tipo de ação no segmento da construção civil e deu muito certo. O milagre econômico da China não parou, e o agro do Brasil e a China são grandes parceiros”, finalizou. 

Sobre o evento

O Congresso Conecta Agro (CCAgro) realizou sua primeira edição de 2 a 4 de julho, no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP), com a proposta de criar um verdadeiro ecossistema de acesso ao mercado do agronegócio, focado em gestão, inovação e sustentabilidade

Ao todo, estiveram presentes 116 palestrantes, 62 expositores, 27 parceiros de mídia e 17 cooperativas, que tiveram a oportunidade de apresentar seus produtos na Casa do Cooperativismo, espaço criado dentro do evento para valorizar o trabalho regional de cada cooperativa. 

O evento recebeu mais de 3,3 mil congressistas, entre produtores de diversas culturas, cooperativistas, representantes da indústria, pecuaristas e técnicos, que tiveram a chance de participar de um efervescente e provocativo ambiente de ideias, inovação e tecnologia.

Isso foi possível pelo formato inovador que reuniu cinco eventos: Top Farmers (soja, milho, trigo, algodão), ENCA – Encontro Nacional das Cooperativas Agropecuárias, o Encontro de Gestão dos Cafeicultores, além das estreias do Mega Pec e do Top Farmers Cana

Com duas plenárias simultâneas, a programação abordou os temas mais relevantes para o agro, como crédito, inovação, geopolítica, mercado e liderança

Conteúdo disruptivo e transformações importantes foram debatidas no evento, que também foi uma inovação por reunir as diferentes cadeias e segmentos em um único local. “Estamos extremamente satisfeitos com o resultado”, avaliou Luciana Martins, diretora-executiva do Grupo Conecta e conselheira de empresas do agro.

Saúde mental dos executivos agrícolas

Um dos grandes momentos do evento foi a apresentação de Augusto Cury, psiquiatra mais lido do mundo, que falou sobre saúde mental. A participação dele no CCAgro marca o lançamento da Mentoria Líderes Extraordinários, que trabalhará o equilíbrio entre emoção, gestão e posicionamento com executivos do agronegócio.

A mentoria é realizada em parceria com Luciana Martins e o consultor e empreendedor Fábio Ruiz. “O mundo já entendeu a força do agro brasileiro, mas ainda falta o Brasil formar líderes que saibam se posicionar à altura dessa potência. Esse programa é um movimento de conexão continental e de legado internacional”, afirmou Ruiz.

Já Augusto Cury alertou para os impactos do desgaste mental nas lideranças do agro. “Quem não é autor da sua própria história será prisioneiro das dores que não superou”.